C O N G R E G A T I O P R O E P I S C O P I S
Prot. 003/2025
Excelentíssimos e Reverendíssimos Senhores Bispos e a toda Igreja:
Doctrina Evangelii et Pastoralem Ministerium Episcoporum in Ecclesia
Doutrina do Evangelho e o Ministério Pastoral dos Bispos na Igreja
Saudações fraternas em Cristo Senhor, Pastor eterno da Sua Igreja,
que vos chama a seguir Seus passos, sendo ministros da graça divina,
guias do povo de Deus e fiéis servidores da verdade. Que a paz de
Cristo, que excede todo entendimento, seja a vossa força, e que o
Espírito Santo vos conduza em todos os aspectos do vosso sagrado
ministério.
A Congregação para os Bispos
sente-se impelida a dirigir esta carta a todos vós, na esperança de
renovar o ardor pastoral e o compromisso com a missão de Cristo,
confiada a cada um de vós, como sucessores dos Apóstolos. Sabemos que a
tarefa que vos é confiada é de enorme responsabilidade, e que não há
maior honra ou vocação do que cuidar do rebanho do Senhor. Esta carta
busca exortar-vos, com um espírito de fraternidade e amor pastoral, a
refletir mais profundamente sobre a grandeza da vossa vocação,
especialmente no que tange à administração de vossas dioceses, ao zelo
pastoral, à pregação da Palavra de Deus, e ao cuidado integral do povo
de Deus, à luz do Código de Direito Canônico e do Catecismo da Igreja
Católica.
I. O Chamado Episcopal: Pastor, Mestre e Sacerdote
A
vocação do Bispo é, em primeiro lugar, um chamado a se conformar com a
missão de Cristo, que, sendo o Bom Pastor, veio para servir e dar a Sua
vida pelas ovelhas. O Código de Direito Canônico, no cânon 375, nos
lembra que o Bispo é o "moderador, o promotor e o guardião da vida e da
missão da Igreja particular confiada a ele". Isto implica que, como
sucessores dos Apóstolos, vós sois encarregados de liderar, ensinar e
santificar a vossa diocese, garantindo que a verdadeira fé seja vivida,
pregada e transmitida em todas as suas dimensões: doutrinária, litúrgica
e moral.
Como nos recorda o Catecismo da
Igreja Católica, no parágrafo 874, o Bispo é chamado a ser "o
responsável pelo bem da diocese, como Pai de uma grande família, que
cuida com zelo e amor por todos os fiéis, sem exceção". Este chamado
exige de vós não apenas uma sabedoria administrativa, mas uma vida de
oração, santidade e perseverança no cumprimento da missão recebida. A
entrega à missão pastoral é total, exigindo que cada Bispo se torne
exemplo vivo do Evangelho, testemunhando, pela palavra e pelo exemplo, a
verdadeira vida cristã. O Bispo deve ser o modelo daquilo que prega, já
que sua vida de oração, piedade e trabalho pastoral deve ser um reflexo
do próprio Cristo.
II. A Presença Pastoral e a Visitação dos Fiéis
O
Bispo não é apenas um administrador, mas, sobretudo, um pastor que deve
estar sempre em contato próximo com o povo de Deus. Sua presença na
diocese é fundamental para fortalecer os laços de comunhão entre os
fiéis e garantir que a Igreja seja verdadeiramente uma casa de oração,
acolhimento e amor. O Código de Direito Canônico enfatiza a importância
da "presença física e espiritual" do Bispo em sua diocese, lembrando que
o Bispo é o primeiro responsável pelo bem-estar espiritual de todos os
fiéis, e que sua presença é indispensável para a unidade da Igreja (CIC,
cân. 383).
A visita pastoral é uma das
manifestações mais concretas desse compromisso com os fiéis. A visitação
das paróquias, escolas, instituições caritativas e comunidades
religiosas da diocese deve ser realizada regularmente, para que o Bispo
possa, pessoalmente, acompanhar a vida pastoral e identificar as
necessidades espirituais e materiais dos fiéis. Como o Catecismo
recorda, o Bispo deve "aparecer na frente de seus fiéis como um
verdadeiro pai e pastor", não se limitando a uma administração distante,
mas sendo alguém que partilha a vida da Igreja com seus filhos
espirituais (CIC 893).
A visita pastoral é
também uma oportunidade para reforçar a unidade e a paz entre os fiéis.
Muitas vezes, o Bispo é chamado a interceder em situações de conflito,
orientando com sabedoria para a reconciliação e o entendimento mútuo.
Além disso, sua presença fortalece os vínculos fraternos dentro da
diocese, mostrando aos fiéis que a Igreja é uma comunhão viva, onde
todos são membros do Corpo de Cristo.
III. A Importância da Pregação da Palavra de Deus
Como
sucessor dos Apóstolos, o Bispo é chamado a ser o principal pregador da
Palavra de Deus em sua diocese. A pregação da Palavra não é apenas uma
função, mas um aspecto fundamental do ministério episcopal. O Catecismo
da Igreja Católica, no parágrafo 888, afirma que "o Bispo, como mestre, é
o responsável por transmitir fielmente a doutrina da Igreja, pela
pregação da Palavra de Deus e pela celebração dos sacramentos". O ensino
da fé deve ser um compromisso constante e urgente para o Bispo, para
que a verdade divina seja claramente proclamada e vivida, e para que os
fiéis possam ser constantemente alimentados espiritualmente.
A
pregação do Bispo não se limita à homilia dominical, mas se estende ao
seu ensino em todas as circunstâncias e momentos, seja através de
catequeses, encontros com clero, formação de leigos ou em suas
orientações diocesanas. O Bispo deve ser um mestre dedicado, que conhece
profundamente as Escrituras e a Tradição da Igreja, e que, com
sabedoria e caridade, expõe a Palavra de Deus de maneira clara e
compreensível para todos os fiéis, levando-os à conversão e à vivência
dos ensinamentos cristãos.
A pregação também
deve ser feita de maneira pastoral, levando em consideração as
necessidades espirituais de cada fiel, a realidade da sociedade em que
vive e os desafios do momento histórico. O Bispo, portanto, deve ser um
pastor atento, que sabe discernir as questões que afligem o coração dos
fiéis e que usa a pregação para iluminar, consolar e orientar.
IV. O Cuidado com os Sacramentos e a Liturgia
O
Bispo é, também, o guardião da liturgia e dos sacramentos na diocese, e
sua responsabilidade nesta área é de suma importância. O Catecismo da
Igreja Católica, no parágrafo 893, afirma que "o Bispo é o primeiro a
celebrar e a promover a liturgia na diocese, assegurando que ela seja
celebrada de forma digna, reverente e de acordo com as normas da
Igreja". A liturgia é a fonte e o ápice da vida cristã, pois é no culto
divino que o povo de Deus encontra a maior expressão da sua união com
Cristo e com a Igreja.
A Eucaristia, sendo o
centro da vida da Igreja, deve ser celebrada com a máxima reverência e
devoção. O Bispo deve garantir que os sacerdotes, diáconos e todos os
ministros litúrgicos desempenhem suas funções com dignidade, para que a
celebração litúrgica seja um verdadeiro meio de santificação e um
testemunho da unidade da Igreja.
V. A Administração dos Bens da Diocese
Embora
a missão pastoral e espiritual seja o centro do ministério episcopal, a
administração dos bens materiais também ocupa um lugar importante. O
Bispo é responsável pela gestão dos recursos da diocese, devendo
garantir que eles sejam usados de forma justa, transparente e eficaz. O
Código de Direito Canônico nos ensina que "o Bispo diocesano é o
administrador dos bens temporais da diocese, e deve garantir que esses
bens sejam usados para o bem espiritual dos fiéis e para o serviço da
evangelização" (CIC, cân. 1277).
A boa
administração dos bens materiais inclui a responsabilidade de garantir
que os recursos sejam aplicados de maneira equilibrada, priorizando a
obra evangelizadora da diocese, o sustento do clero, a educação
religiosa e o apoio aos mais necessitados. O Bispo deve também ser
diligente em garantir a transparência e a prestação de contas na
administração financeira da diocese.
VI. O Papel de Líder e Promotor da Unidade
Finalmente,
o Bispo deve ser o grande promotor da unidade na diocese, sendo o
"moderador" e o "guardião" da comunhão e da paz entre os fiéis. Sua
tarefa é não apenas governar, mas também ser um líder espiritual que
inspira todos os membros da Igreja a viverem em harmonia, apesar das
dificuldades e divisões que possam surgir. O Bispo deve ser um exemplo
de caridade, paciência e misericórdia, ajudando a resolver conflitos e
promovendo a reconciliação quando necessário.
Ele
deve trabalhar incessantemente para que a diocese seja uma comunidade
viva, onde todos os fiéis se sintam acolhidos, respeitados e chamados à
santidade. Que o Bispo, como pastor, cuide de cada ovelha com o mesmo
amor e dedicação de Cristo, que deixou as noventa e nove para ir ao
encontro da que se perdeu (cf. Mt 18,12-14).
VII. Conclusão: O Compromisso com a Missão Pastoral
Em
conclusão, exortamos Vossas Excelências a renovar o compromisso com a
missão pastoral que o Senhor vos confiou. A responsabilidade de ser
Bispo é incomensurável, mas a graça de Deus nunca falta para os que, com
sinceridade e humildade, se entregam ao serviço da Igreja. Que o Senhor
vos conceda sabedoria para pregar Sua Palavra com clareza, prudência e
caridade, e que vossa vida seja um testemunho constante de Sua verdade e
amor.
Que a intercessão de Nossa Senhora,
Estrela da Evangelização, e dos santos Apóstolos fortaleça cada um de
vós em vosso ministério, para que possais ser verdadeiros pastores
segundo o coração de Cristo.
Dado e passado em Roma, ao quinto dia do mês de Janeiro,na festa da Epifania do Senhor, no ano Jubilar de dois mil e vinte e cinco
✠ Dom Antônio Cardeal Giuseppe
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Prefeito da Congregação para os Bispos
Bispo diocesano do Rio de Janeiro

